Poesia

Chuva no Planalto

Um poema sobre a primeira chuva de Setembro no Huambo.

A primeira chuva de Setembronão pede licença:entra pelas frestas do zinco,acorda o cheiro antigo da terra vermelhae senta-se à mesa como um parenteque voltou de longe.

A minha mãe diz que a chuva tem memória.Lembra-se de cada lavra,de cada mão que semeou milhoquando ainda não havia certezade que haveria colheita.

Eu fico à janelaa contar os pingos como quem conta anos,e o planalto inteiro respira devagar,finalmente,como se também ele tivesse esperadopor esta conversa.

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As mulheres que carregam a cidade

Às zungueiras de Luanda, que levam o mundo à cabeça.

Sobre o autor

Teresa Kassoma

Nasceu no Huambo em 1988. Escreve poesia sobre o planalto, a chuva e as mulheres que carregam a cidade. Vive em Luanda, onde ensina Literatura.

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3 comentários

Rosa Nzinga Bento

Li isto no candongueiro e quase chorei. «Como um parente que voltou de longe» — é exactamente isso.

Mateus Kalunga

Sou do Huambo e reconheci o cheiro da terra vermelha logo no primeiro verso.

Teresa Kassoma autor

Obrigada aos dois. Escrevi-o na varanda da casa da minha mãe, no dia da primeira chuva.

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