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A primeira chuva de Setembronão pede licença:entra pelas frestas do zinco,acorda o cheiro antigo da terra vermelhae senta-se à mesa como um parenteque voltou de longe.
A minha mãe diz que a chuva tem memória.Lembra-se de cada lavra,de cada mão que semeou milhoquando ainda não havia certezade que haveria colheita.
Eu fico à janelaa contar os pingos como quem conta anos,e o planalto inteiro respira devagar,finalmente,como se também ele tivesse esperadopor esta conversa.
3 comentários
Rosa Nzinga Bento
Li isto no candongueiro e quase chorei. «Como um parente que voltou de longe» — é exactamente isso.
Mateus Kalunga
Sou do Huambo e reconheci o cheiro da terra vermelha logo no primeiro verso.
Teresa Kassoma autor
Obrigada aos dois. Escrevi-o na varanda da casa da minha mãe, no dia da primeira chuva.
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